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património

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Espelhos, Pereira, concelho de Montemor-o-Velho, 2008

para o início do fim-de-semana:

2 poemas de Eugénio, 1 canção de Sérgio e uma fotografia da noite num dos meus lugares


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noite, Nazaré 2006

Era setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?


* * *

Não oiças essas vozes que não param
de crescer a caminho do inverno,
os lugares onde o corpo de erro
em erro abdica de ser corpo
são mortais, não oiças essas vozes
onde o sol apodrece, nunca mais.



in O Peso da Sombra de Eugénio de Andrade
Obra de Eugénio de Andrade/16, Ed. Limiar, 1989




bom fim-de-semana...

[ na entrada do quarto encontro troncos de árvores ]

Photobucket magnólia, Porto 2007
na entrada do quarto encontro troncos de árvores que
como vasos sanguíneos atravessam o chão que me ampara
e o tecto que me cobre enquanto afasto do meu olhar folhagens imaginárias.
quando chegar o último sono de inverno
por entre as sombras da mata e o voo dos corvos
quero sentir os teus joelhos dobrarem as minhas pernas
enquanto me abraças os ombros a partir dos cotovelos desarmados
inclinar o rosto sobre o teu peito e sentir as tuas mãos recolherem
da minha face a caligrafia dos terrores diurnos

e sentir na pele a luz a terra húmida e perfumada.


Cláudia Santos Silva aka blue

vonsia

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canino desconhecido, Seia 2008

* bom-dia, segundo Mafalda do Quino

Winter time

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Seia, 2008

A larangeira ao pé da nora já me conhecia - punha-se a fingir que era o vento que a fazia mexer.

in A Viagem ou O que não se pode prevêr
A invenção do dia claro de José de Almada-Negreiros
Colares Editora, 1993

amanhã

chez manjerico haverá orações felinas por uma certa amiguinha

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felino desconhecido, Seia, 2008




Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora.

Alberto Carneiro
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