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Todos temos pessoas que mexem com os nossos nervos, certo?


De que falo:
Estou rodeada duma corja específica que se farta de ir a concertos. Eu não vou (muito) a concertos. Logo, sofro do mal de inveja. Em grande escala.
E penso, podiam ser discretos, mas não. Que é isso da compaixão? Já ninguém se compadece! O mundo está podre. Podre!
Senão, reparem: fazem posts sobre os concertos planeados e depois ainda vêm fazer o relato; outros, troçam indecentemente com frases do tipo “chego a ter inveja de mim próprio” e quando insultados ainda respondem a meter mais nojo; até gentalha que não conheço, expõe o nojo todo. (tenho ou não tenho razão em estar pelos cabelos com esta gente?)

Este ano, já risquei dias a negro no calendário. O pior foi o do concerto de Nick Cave. Acho até que uma lagrimita quis despontar nesse dia.

Portanto, ontem decretei que:
ah e tal, essa coisa de não poder ir aos concertos (todos) não me afecta assim tanto. Até porque nunca fui habituada a esses luxos. Principalmente por questões de condicionantes geográficas que acabam sempre por impor custos acrescidos aos dos bilhetes

Pois é.

Ainda acrescentei que, pronto, como não fui habituada, uso da deixa aquilo que não conhecemos, não nos faz falta. Uma das margaretes dentro de mim repetia irritantemente sim, sim, engana-me que eu gosto. Mandei um berro e ela lá se calou.

Pois é.

A semana passada pus-me de posse de bilhetes para ir ao concerto Sassetti & Laginha. Um bocadinho de mim anda sorridente desde então.
Há bocado, propus a "loucura" de zarpar para Gaia, após a safra, para assistir ao concerto de Peter Murphy (ainda não se se há bilhetes, aguardo infs)

Ao fazer as ponderações nojentas sobre se seria prudente ir a Gaia, eis que: fui presenteada com bilhetes para o concerto do Senhor Leonard Cohen no próximo Sábado. Leram bem? Eu vou ouvi(e)r o Leonard Cohen!!! Euzinha!!!



Pronto, era só para ser nojenta.

então... bom fim de semana



surripiado ao c

pleased to meet you

Mr. Watson


fotografia de Salamandrine aka Sandra Ferrás aka dolphin.s (many tanx!)

aniversário com arte

6ª feira, 07 de Março



6º aniversário - Café com Arte, Avenida Elísio de Moura, Coimbra

Apocalipse

Novos máximos históricos. Oiço enquanto em paralelo cantarolo "O mestre-sala dos mares" tentando ignorar a minha voz. Oiço ao mesmo tempo que entrego a chave ao funcionário simpático e lhe peço gasóleo sem chumbo '95. Aconteceu em Londres esta tarde, um novo máximo histórico dos danados dos barris que fazem girar o globo. O lusco-fusco finda. Exercito-me, num instante estou dentro do azul de Yves Klein. Esta coisa resume-se quase todos os dias. Por vezes penso que jamais solucionarei a coisa. Quase todos os dias consigo completar o enigma. Hoje, por exemplo, fiz e refiz o quebra-cabeças. Estou cansada, pois. Amanhã marco férias. Amanhã vou à farmácia. Amanhã lavo as mãos. Lavemos as mãos. Estamos rodeados de filhos-da-puta. Este mundo está cheio de muitos os outros. Os inocentes são culpados de outros crimes.
Agora cantarolo "Nobody does it better" (versão Thom Yorke). Tentando ignorar a minha voz. Depois lembro "Into my Arms" e aguardo lágrimas. É o mínimo, chorar. Acho indecente não chorar. Tenho de resolver isto. Praticante do mal-menor estamos todos sós, acérrima defensora de que inocentes são culpados de outros crimes, agora lembro "É mais fácil um camelo…".
Oh - suspiro profundo - céus, mulher, desacelera!
Inspiro. Expiro. Inspiro. Expiro. Rio. Rio a brincar ao contrário de que o inferno são os outros. Rogo para que não contem comigo. Chama-se a isso: o preço.
Estamos sempre a atingir novos máximos. Históricos.

Zach Condon (Beirut) de Tony Nelson
[ canta para mim, toca, dá-me música ]



algumas referências ~ ring-around-a-rosie ~ É mais fácil um camelo ~ O Fugitivo ~ Beirut ~

poetas, meus poetas [ saravá! ]

O sentimento não é exactamente inveja, digamos que é um misto de pena e de amuo, aperceber-me que estas coisas aconteceram e eu não estive lá.
Bem, às tantas, é isso mesmo a inveja. Adiante...


dois países, uma voz

Miro Casabella, JP Simões, José Mário Branco e Leo i Arremecaghona!



A plataforma Coimbra-Galiza nasce em 2005 com o propósito de aprofundar, e em muitas ocasiões iniciar, o conhecimento da Galiza na nossa cidade. Ao longo destes três anos já houve recitais poéticos, documentários e conferências. Nesta ocasião a música é a protagonista. Coimbra recebe quatro magníficos artistas: da música tradicional e reivindicativa de Miro Casabella às novas composições de JP Simões; do cantor de Abril e de hoje José Mário Branco ao punk de autor de Leo i Arremecaghona! Quatro músicos de tempos diferentes, dois países, uma única voz. Desfrutem tanto como nós.

organização
Plataforma Coimbra-Galiza - apoio TAGV


MIRO CASABELLA
Nasce em Ferreira do Valadouro, na Galiza, em 1946. Em 1967 canta em público pela primeira vez, em conjunto com os cantores da Nova Canço Catalana. No final dos anos 60 edita os primeiros dois discos: Miro canta as suas cancións e Miro canta cantigas de escarnio e maldizer. Toca com o grupo Voces Ceibes e faz digressões com Paco Ibañez, em França, e com Luis Cília, em Espanha.
Em 1970, juntamente com Paco Ibañez, Luis Cilia, Xabier Ribalta e Zeca Afonso, participa nos festivais da canção ibérica e toca na Festa da Humanité perante 600 mil pessoas, integrando um cartaz do qual faziam parte Joan Baez, Paco Ibañez ou Georges Moustaki. Até 1976 tocou por toda a Galiza as suas músicas populares e de intervenção, enfrentando grandes problemas com as autoridades nacionais. Em 1974 colabora com José Mário Branco, que lhe faz os arranjos do disco Ti Galiza. Com o desaparecimento da censura, em 1976, começa um periodo de grande actividade em festivais por toda a Espaha.
No início da década de 80 trabalhou na criação de DOA, grupo de música medieval-popular com grande aceitação por parte da crítica. Orvallo, publicado em 2004, é até agora o seu último trabalho.
Miro é hoje um cantor de referência na música popular e de intervenção, habitual colaborador em eventos como a recente homenagem a Zeca Afonso na Galiza, que decorreu a 25 de Abril do ano passado.

LEO I ARREMECAGHONA!
A trajectória musical de O Leo i Arremecághona!!! inicia-se no ano de 1997, embora apenas tenha começado a ser conhecido em 1998, ao ser chamado para abrir os concertos da digressão galega de Albert Plá. Do mesmo ano é o seu primeiro disco, Suspiros de Kaña, que conta com uma edição de mil cópias distribuídas pelo próprio autor.
Descrito como punk de autor, as suas referências musicais são Albert Plá, Billy Bragg ou Pau Riba. A ligação do autor às artes cénicas é notável, pois uma parte importante do projecto musical que representa o Leo i Arremecághona!!! está centrado nas suas actuações ao vivo, espectáculos que roçam o formato da performance em que o autor se caracteriza para intepretar determinadas personagens. É habitual que o espectáculo punk também seja precedido de versões acústicas de autores da canção de intervenção galega e dos Cantores de Abril.
Leo i Arremecághona!!! tem dado recitais por toda a Galiza, com espectáculos de apresentação do seu primeiro livro de poesia Hai cu (2007), baseado no blog com o mesmo nome.

JP SIMÕES
Nascido em Coimbra e emigrado para o Brasil, JP Simões colaborou nos projectos musicais Pop Dell´Arte, Belle Chase Hotel, A Ópera do Falhado e Quinteto Tati, revelando-se um interessante intérprete e escritor de canções.
Em 2006, preparou um novo espectáculo intitulado Canções do jovem cão e anunciou o lançamento da sua carreira a solo, através de um disco em nome individual, com o título 1970, editado no início de 2007, que arrecadaria grandes elogios de crítica e público. Foi ainda em 2006 que se estreou no cinema, participando no filme "Pele", do realizador Fernando Vendrell, como autor da banda sonora.
A vida artística de JP Simões não se resume à música pura e dura, tendo em 2003 levado ao palco, com encenação de João Paulo Costa e da companhia do Teatro do Bolhão, a Ópera do Falhado, projecto cujo texto saiu da pena de JP Simões, tendo a música sido composta com Sérgio Costa, eterno companheiro de lides, nos Belle Chase Hotel e no Quinteto Tati.
No Outono de 2007, é publicado o livro de contos O Vírus da Vida, ilustrado por André Carrilho.

JOSÉ MÁRIO BRANCO
Iniciou a sua carreira durante o período do Estado Novo tendo sido perseguido pelas autorides políticas de então, o que o obrigaria a exilar-se em França. Trabalhou com José Afonso, Sérgio Godinho, Luís Represas, Fausto e Camané, entre outros, com os quais participou em concertos ou em álbuns editados como cantautor e/ou como responsável pelos arranjos musicais. Compôs e cantou igualmente para teatro, cinema e televisão. Em 1974 fundou o GAC - Grupo de Acção Cultural, com o qual gravou dois álbuns.
Entre música de intervenção, fado e outros registos musicais, são de sua autoria os discos Ser Solidário, Margem de certa maneira, A noite e o emblemático FMI, obra síntese do movimento revolucionário português, em que canta os seus sonhos e desencantos. Este último registo foi durante algum tempo proibído pelo próprio de passar em quaisquer rádio, TV ou outro tipo de exibição pública. Não obstante, FMI será, provavelmente, a sua obra mais conhecida.
O último álbum, lançado em 2004, tem por título Resistir e Vencer, em homenagem ao povo timorense que resistiu durante décadas à ocupação efectuada pelas forças militares da Indonésia, logo após o 25 de Abril de 1974.


Dia 14 de Fevereiro`08, 21h30 Preço normal 10,00€/ Preço estudante 6,00€

para o início do fim-de-semana:

2 poemas de Eugénio, 1 canção de Sérgio e uma fotografia da noite num dos meus lugares


Photobucket
noite, Nazaré 2006

Era setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?


* * *

Não oiças essas vozes que não param
de crescer a caminho do inverno,
os lugares onde o corpo de erro
em erro abdica de ser corpo
são mortais, não oiças essas vozes
onde o sol apodrece, nunca mais.



in O Peso da Sombra de Eugénio de Andrade
Obra de Eugénio de Andrade/16, Ed. Limiar, 1989




bom fim-de-semana...

Notícias de Deus

/296/

Queridas filhas:

Não creio nos filósofos, mas cativou-me sempre a sua audácia de pensar.
É bonito, leiam-nos.
Quanto aos poetas (o pp. foi um deles) sorriam-lhes de longe.
Mas atenção aos grandes músicos, à sua estranha perfeição, à nostalgia que nos invade ao escutá-los.
Quando encontrarem um, não o deixem escapar.
Poderia pensar-se que nos trazem (os músicos) notícias de Deus.
É mais: como Deus não existe, eles têm de forjá-las.

In Albas de Sebastião Alba
Biblioteca Primeiras Pessoas 2, Edições Quasi, 2003


Para a minha comadre

Feliz Aniversário, Marta :)*


sem título, Francesca Woodman
Italy, 1977-78

E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.

in Arte Poética II
Obra Poética III,
Sophia de Mello Breyner Andresen
editorial Caminho, 1999






Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora.

Alberto Carneiro
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