[ rascunho do que gostaria de (d)escrever ]
Não deveríamos fazer isto uns aos outros. Depois, num instante tão rápido quanto um instante consegue ser, percebo tudo de novo. São cansativos estes abandonos, cada vez mais se torna delicado o retorno. Sinto as pálpebras vermelhas vivas. Sei o cabelo parco. As peles estão próximas das de uma mulher de avental preto e avantajado. Lembro a alegoria da peixeira e retorno. Se eu fora peixeira, desesperaria com a mesma intensidade à insatisfação que congemino dos meus clientes e colocaria em causa as motivações para me distinguirem * como sua fornecedora. É certo. Olha, estão aqui, assentes no chão, os meus pés. E a minha mão direita, com que limpo secreções. Ainda me restam 5 minutos. Declaro este texto “rascunho do que gostaria de (d)escrever”. Dedico-o ao c, à Truta e à Marta. Restam agora 4 minutos, já piquei o dedo.
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Como aprender a estar morto, Italo Calvino
Portanto, agora, o senhor Palomar deveria experimentar uma sensação de alívio, não tendo que continuar a perguntar-se que coisa lhe prepara o mundo, e deveria igualmente sentir o alívio do mundo, o qual já não tem de se preocupar com ele. Mas é exactamente a expectativa de saborear esta calma que torna ansioso o senhor Palomar.
Em suma, estar morto é menos fácil do que perecer. Em primeiro lugar, não se deve confundir o estar morto com o não estar, condição que ocupa também a interminável extensão de tempo que antecede o nascimento, aparentemente simétrica da outra, igualmente ilimitada, que se segue à morte. De facto, antes de nascer fazemos parte das infinitas possibilidades às quais acontecerá, ou não acontecerá, realizarem-se, ao passo que, uma vez mortos, não podemos realizar-nos, nem no passado (ao qual pertencemos agora inteiramente mas sobre o qual já não podemos influir) nem no futuro que, apesar de influenciado por nós, nos permanece vedado. O caso do senhor Palomar é uma realidade mais simples, porquanto a sua capacidade de influir sobre alguma coisa ou sobre alguém foi sempre desprezível; o mundo pode muito bem passar sem ele e ele pode considerar-se morto com toda a tranquilidade, sem sequer alterar os seus hábitos. O problema é a modificação, não aquilo que ele faz, mas sim aquilo que ele é, e mais exactamente aquilo que ele é em relação ao mundo. Dantes, por mundo, ele entendia o mundo mais ele; agora, trata-se dele mais o mundo menos ele.
O mundo menos ele quererá dizer o fim da ansiedade? Um mundo no qual as coisas aconteçam independentemente da sua presença e das suas reacções, seguindo uma sua lei, ou necessidade, ou razão, que não lhe diz respeito? Bate a onda no escolho e escava a rocha, aparece uma outra onda, uma outra, ainda uma outra; quer ele esteja em acção quer não, tudo continua a acontecer. O alívio por estar morto deveria ser este: eliminada aquela mancha de inquietação que é a nossa presença, a única coisa que conta é o desenrolar e o suceder-se das coisas sob o sol, na sua serenidade impassível. Tudo é calma e tende para a calma, até mesmo os furacões, os terramotos, a erupção dos vulcões. Mas não era o mundo já assim quando ele lá estava? Quando cada tempestade trazia em si mesma a paz do depois preparava o momento em que todas as vagas se teriam abatido contra a costa e em que o vento teria esgotado a sua força? Talvez que o estar morto seja passar para o oceano das ondas que permanecem ondas para sempre, sendo portanto inútil esperar que o mar se acalme.
O olhar dos mortos é sempre um tanto ou quanto deprecatório. Lugares, situações, ocasiões são grosso modo aquelas que uma pessoa já conhecia e reconhecê-las traz sempre uma certa satisfação, mas ao mesmo tempo notam-se muitas variações, pequenas ou grandes, as quais, por si só, se poderiam aceitar, se correspondessem a um desenvolvimento lógico e coerente, mas que, muito pelo contrário, surgem como arbitrárias e irregulares, e isto incomoda, sobretudo porque uma pessoa é sempre tentada a intervir, para introduzir aquela correcção que lhe parece necessária, e não o pode fazer porque está morta. Donde uma atitude de relutância, quase de embaraço, mas ao mesmo tempo de suficiência, como a de alguém que sabe que o que conta é a sua própria experiência passada e que a tudo o mais não vale a pena atribuir demasiado peso. Um sentimento dominante não tarda a apresentar-se em seguida, impondo-se sobre todo e qualquer pensamento: é o alívio por se saber que todos os problemas são problemas dos outros, que é tudo lá com eles. Aos mortos já não deveria interessar mais nada de nada, porque já não lhes diz respeito pensar em nada disso; e mesmo que isso possa parecer imoral, é nesta irresponsabilidade que os mortos encontram a sua alegria.
Quanto mais o estado de ânimo do senhor Palomar se aproxima daquele que foi aqui descrito, tanto mais a ideia de estar morto se lhe apresenta como uma ideia natural. É verdade que não encontrou ainda a sublime distanciação que pensava que fosse apanágio dos mortos, nem uma razão que vá além de toda e qualquer explicação, nem a saída para fora dos seus próprios limites, como se sai de um túnel que desemboca noutras dimensões. Há momentos em que tem a ilusão de se ter libertado, pelo menos, da impaciência que toda a vida o acompanhou, quando vê os outros errarem em todas as coisas que fazem e pensa que, no lugar deles, também teria errado não menos do que eles, mas que apesar de tudo teria dado por isso. Mas, afinal, de modo algum se conseguiu libertar, e percebe que a impaciência motivada pelos seus erros e pelos erros dos outros se perpetuará juntamente com os próprios erros, que nenhuma morte pode cancelar. Mais vale portanto habituar-se à ideia: para Palomar, estar morto, significa habituar-se à desilusão de se sentir igual a si próprio, num estado definitivo que já não pode esperar modificar.
Palomar não subavalia as vantagens que a condição do vivo pode ter sobre a condição do morto, não no sentido do futuro, onde os riscos são sempre muito fortes e os benefícios podem ser de curta duração, mas sim no sentido da possibilidade de melhorar a forma do nosso próprio passado. (A não ser que uma pessoa esteja já plenamente satisfeita com o seu próprio passado, caso esse que é demasiadamente pouco interessante para que mereça a pena ocuparmo-nos dele). A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos no qual o último poderia mesmo mudar o sentido de todo o conjunto, não porque conte mais do que os precedentes mas porque, uma vez incluídos na vida, os acontecimentos dispõem-se segundo uma ordem que não é cronológica mas que corresponde a uma arquitectura interna. Uma pessoa, por exemplo, lê na idade madura um livro importante para ela, que a faz dizer: «Como podia viver sem o ter lido!» e ainda: «Que pena não o ter lido quando era jovem!». Pois bem, estas afirmações não fazem muito sentido, sobretudo a segunda, porque a partir do momento em que ela leu aquele livro, a sua vida torna-se a vida de uma pessoa que leu aquele livro, e pouco importa que o tenha lido cedo ou tarde, porque até a vida que precede a leitura assume agora uma forma marcada por aquela leitura.
Este é o passo mais difícil para quem aprende a estar morto: convencer-se de que a sua própria vida é um conjunto fechado, todo no passado, ao qual não se pode juntar nada, nem introduzir modificações de perspectiva na relação entre os vários elementos. É certo que os que continuam vivos podem, com base nas modificações por eles vividas, introduzir modificações inclusive na vida dos mortos, dando forma àquilo que a não tinha ou que parecia ter uma forma rebelde naquele que tinha sido vituperado pelos seus actos contra a lei, celebrando um poeta ou um profeta naquele que se tinha visto condenar à neurose ou ao delírio. Mas são modificações que contam sobretudo para os vivos. Eles, os mortos, dificilmente tiram delas qualquer proveito. Cada um é feito daquilo que viveu e do modo como o viveu, e isto ninguém lho pode tirar. Quem viveu sofrendo, fica feito pelo seu sofrimento; se pretendem tirar-lho, deixa de ser ele.
(…)
E assim, de adiamento em adiamento, chega-se ao momento em que será o tempo a gastar-se e a extinguir-se num céu vazio, quando o último suporte material da memória do viver se tiver degradado numa labareda de calor, ou tiver cristalizado os seus átomos no gelo de uma ordem imóvel.
«Se o tempo tem de se acabar, podemos descrevê-lo, instante a instante — pensa Palomar — e cada instante, ao ser descrito, dilata-se tanto que deixa de se lhe ver o fim.» Decide que se vai pôr a descrever cada instante da sua vida e que, enquanto não os tiver descrito a todos, deixará de pensar que está morto. Naquele momento morre.
tradução de João Reis
estórias, editorial teorema
1985
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Hans e a mão direita, Manuel de Castro
Falo por experiência própria, como dizem as pessoas falsamente decididas a tudo. É um sabor a tabaco, amargura e perplexidade, este que me acomete cada vez que posso desorientar o destino, isto é, dar-lhe uma direcção, desconhecida, sim, mas diferente da que aparentemente me estava marcada. Falo por experiência própria e explico: Flores? Porquê?
Um dia dizes: "esta é a minha mão direita". E noutro dia um imprevisto, um acidente, uma escaramuça em que alguém acaba por pensar que ganhou aquilo que fica a pensar que ganhou, ou nem escaramuça ou sequer acidente, apenas um inexplicável desaparecimento, te impede de repetir: "esta é a minha mão direita". Ou a mão já não está (decepada, queimada), ou tu não distingues (louco, sem memória), ou morreste (acontece, acontece) ou então é ainda um caso policial de fadas, de ilusão.
Eu digo, por exemplo: "O Hans". Hans é assim a pessoa "a quem se fala". Ou digo: "O Hans". O Hans é a pessoa "de quem se fala". Mas se digo: "Ó Hans, estás cada vez mais pálido" tu, Hans, és a pessoa "de quem e a quem se fala". Contudo, se respondes: "sim ou não, eu, Hans", tu és a pessoa "que e de quem se fala". Repito: "a pessoa que fala e de quem se fala". Como vês, não é assim tão difícil evitar malentendidos. Difícil é o deserto. Difícil é viver com a mão estendida, sempre mais estendida, e não encontrar outra pele, ou apenas o desgosto doutra pele. Eu explico: O Desejo?
Falo por experiência própria, isto é, falo por falar e porque me encontro nesta situação, melhor, na articulação desesperada desta situação deslocada.
Tu, senhora, que me amas e entendes, tu, a quem não repugno pois que, ao ver-me. Ao verme, nem as vísceras (as minhas) imaginas, tu, senhora, és o meu desejo, o cigarro, digo. Eu explico: A epiderme? A carícia?
Ternura, é o que peço. Mas permanente, atenta, pantufas, tépida. Sorrisos e reverências. Histórias, cantos, murmúrios, em que se incluam as palavras "amor" "sempre" e em que se fale de recomplicadas paixões, de corpos frenéticos, de rosas, de primaveras. E explico: A Loucura? A Fantasia?
Tu falavas do amor, Hans, e o teu olhar claro e inseguro transmitia-me um pavor inexplicável, mórbido. Apesar de tudo houve entre nós um encontro. Mas tu procuravas em mim alguém que provisoriamente partia para uma viagem rápida e fantasista. E dos teus olhos recebia a serena inocência dos loucos e dos assassinos. Foi um acontecimento em que pouco trocámos excepto a breve necessidade de defesa contra a morte - minha verdadeira amante, nítido final, desejo permanente.
É desta forma e não outra que satisfaço o vício.
De novo te falarei, Hans, com a doce suavidade dos epilépticos recuperados.
Não te movas.
Bem vês: é preciso conhecer os nomes das ruas, das cidades, das pessoas, dos países, e tudo esquecer e relembrar de novo se queremos ser, amar, perder, reencontrar e difícil mas aceitavelmente morrer.
Ave et vale.
P.S. Por este mesmo correio envio-te algumas coisas de conserva; nada mais me é possível. Mesmo assim desculpo-me.
Disse e repito: o destino assiste impávido a todos os desastres. E o que não disse, invento: os desastres alimentam convulsivamente todos os destinos. O que não há é gente para dar por isso, como dizia o outro. Assim passamos, uns pelos outros, algumas vezes uns com os outros, com bolsos para serem roubados ou para serem poupados.
Podes permanecer deitado, de pé ou sentado mas jamais para teu agrado: unicamente para não alterar uma posição que já está e não vale a pena modificar.
Se não saio da jaula é porque as feras andam lá fora. Creio que não lhes observaste atentamente a dentuça quando te sentes compelido a dizer-lhes: "bom dia"; e te respondem. Das feras há pouco bem ou mal a considerar. Esperemos somente que se devorem e nos devorem sem grande música de mandíbulas e ossos.
Nunca me "porei no teu lugar" para pensar porque não tenho nada com isso. Se alguém me afagar os cornos nunca ouvirá (jamais, jamais) um sincero "muito obrigado". Poderá ouvir estas palavras insinceramente ditas muitas vezes e o efeito será o mesmo. Porém a verdade aproximada de que tomo nota é esta: não estender uma só vez o pescoço para o beijo das feras. Se andas por aqui sem o teres pedido, isso constitui já trabalho suficiente para não o encheres de coisas simples que o complicarão ainda mais. E nada mais simples que os beijos que se dão ou recebem; todos os dias vemos gente morrer disso nas situações do costume, isto é, quando o operário põe a máquina a funcionar, quando o patrão não recebeu uma boa encomenda (de automóveis, de chocolates, de ciências aplicadas), quando se dorme ou se está desperto, quando se come ou o contrário, quando para cima e para baixo e para os lados fazemos filhos. Até agora é o que tenho a dizer.
Não confio já nos santos ou nos poetas e muito menos nos heróis.
Tudo é agora uma questão de mais ou menos brutalidade, de maior ou menor capacidade de matar. Impunemente - é preferível.
As acções baixam - não há dúvida.
Pergunto-me onde estás, Hans, que fazes, e não encontro resposta para este meu estado de indecisão.
Nós somos o que somos; as comparações, os símbolos que utilizamos para falarmos de nós próprios são necessários apenas porque é com palavras que praticamos a tímida tentativa de entendimento à superfície.
Eis um domínio que me é pouco compreensível.
É preciso particularizar as palavras; quando a palavra NORTE surge não é a palavra ou a direcção norte que constituem o principal, mas sim o lugar em que se está, para aquém, na, e para além da geografia. Assim tu, Hans, és também uma cidade e o seu sentimento. Fechamos o coração por medo: do ridículo, do escândalo, da polícia, do dinheiro, da prisão. Isso é que é ridículo Pensa um pouco: existe hoje um sítio mais pacífico e aprazível do que a cela de uma prisão? E mais livre? - devo acrescentar. Estamos no tempo apocalíptico das Bestas, não o esqueças. Bestas de metal e de carne que não sossegam, não cansam e tudo destroem à sua passagem. É o fulano que mais percebe de máquinas de lavar papel de seda e cargas para isqueiros a petróleo, e a sicrana que não percebe, realmente não percebe, como se pode viver em tal sujidade; da moral e da outra.
Inútil, inútil: nem a mão aberta ou o chicote, nem o sacrifício ou o combate. Nicles. Percebe?
- Por favor, madame, tente abrir a sua mão direita.
Mas ela não está, Hans, ela é agora um bólide que gira em torno da terra. Tu respondes:
- Já não tenho mão direita, doutor.
- Nesse caso, madame, se desiste assim tão facilmente, acaba por ficar sem nada.
E tu, resignada:
- Não tem importância. Acontece a toda a gente.
Um falus, simplesmente mais lento.
A expressão "estás sempre a meter o nariz em toda a parte" não pode ser substituída por "estás sempre a meter a mão em toda a parte" porque esta segunda é evidentemente obscena, ou pelo menos as leis o dizem e há que pagá-las.
Dormes. E enquanto lutas com um grupo de bandidos num Rio de Janeiro onde nunca estiveste, enquanto assistes à passagem de semblantes luminosos de gente que deve ter morrido há muito tempo, ou enquanto sorris internamente perante uma história que existe no outro lado da realidade, a tua mão continua a arder, independente, na lenta combustão que a tornará lívida, inerte, dura e terrível, no transitório momento que separa a vida do apodrecimento. O sonho é apenas uma outra forma da realidade e talvez (quem o sabe?) a morte o seja também. Porém o que definitivamente se transforma é a tua mão direita, essa peça que tão descuidadamente transportas, como se fosse um direito absoluto a posse desse extravagante objecto, como se a memória te impedisse de observar o monstruoso teatro que ela, a mão, executa durante aquilo a que chamamos tempo. As unhas. Os dedos. As articulações. E algo ainda. Como aceitar impassível a presença da mão, desse pequeno corpo a cujo movimento não podes assistir atenta, continuamente? Estamos fabricados para as ideias gerais mas nada existe nelas que nos ofereça um pouco de paz, um pouco de certeza no destino de todos e cada um.
Acordas. Eis a tua mão direita que se move numa direcção que lhe é própria, e se te pergunto que fizeste com ela, que tens feito com ela, qual o seu futuro, então entenderás quanto o domínio, a percepção e o controle das diversas realidades te é interdito.
in GRIFO, ANTOLOGIA DE INÉDITOS ORGANIZADA E EDITADA PELOS AUTORES, 1970
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(re)começar o dia
(...as repetições)
uso outro poema que resgato para a minha antologia
saúdo o sol
algures
encho-me de fluxos, deste bafo (não desabafo), procuro o nó, releio escritos de outrora pois, a estes dias, não escrevo
[ evidência ]
Jamais soube o que é estar de pé
em equilíbrio inventei estes modos
Não aguento
um esgar, não aguento encarnações
de dor sou uma fraca que engendrou
a religião da outra face cedo ouvi a lenda
ficou impregnada
Que hei-de fazer a este jeito que choro
até ao afinco do ardor
Que hei-de fazer a este jeito
Eu escrevo
Largo o temor das mãos
continuo sem saber
Este jeito há-de ser
o meu fim
Como podereis constatar gaguejo.
photo de c
a mim e aos colos insuflados
à Marta, por escrever:
antes desata os nervos,
a inspiração
no arremesso das palavras.
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margarete
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(segredo maior)
fico com o fôlego suspenso
a meio de ti.
Não há por agora
segredo maior do que este,
nenhum outro mistério
onde eu tenha lugar.
surripiado à Marta
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Para a minha comadre
Feliz Aniversário, Marta :)*
sem título, Francesca Woodman
Italy, 1977-78
in Arte Poética II
Obra Poética III, Sophia de Mello Breyner Andresen
editorial Caminho, 1999
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