No cinema, odeio as pessoas.
frase simples:
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margarete
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Falar estrangeiro
Ontem publiquei um poema que passa a ser de antologia. Da minha antologia. Deparei-me com a angústia e quase com a deseperança. Todos temos dias maus, mesmo maus, pois claro. Porém, posso considerar-me muito privilegiada. Dos inúmeros confrontos e discordâncias com que me deparo no dia a dia, estou entre pessoas que sabem estar neste mundo que acima de tudo é feito de diferenças, que sabem chegar a consenso, à zona de funcionalidade dentro da discórdia. Como nada é perfeito, de vez em quando aparecem uns ranhosos que são a excepção à regra. Lá fica a menina margarete desprotegida dos espíritos conflituosos. Zás. Toca a exercitar outras zonas do cérebro.
Em determinadas alturas, pode tornar-se incomportável ser-se eficaz num sentido literal. Acontecem, então, pendências que me deixam num estado de urgência para avançar. Sabendo um pouco sobre o meu funcionamento e da eventualidade de efeitos perversos resultantes das situações, torna-se imperioso arranjar exercícios para conseguir lidar com as consequências do facto.
Falo de quê?
Facto: o indivíduo não conseguir ser reflectido o suficiente para assumir que se discorda em determinado assunto.
Consequência: 1) perder rumo do assunto propriamente dito; 2) perder o respeito pelo interlocutor.
Memória do desrespeito: não incide na frustração por identificar que não se consegue ultrapassar o "facto discordância" mas nos actos consequentes da mesma. O indivíduo não-reflectido deixa-se levar pela frustração e recorre ao dano do outro.
(nota - o dano pode ser infligido através de actos completamente alheios à discordância em si, é a regra do "tudo vale para libertar a minha fúria". Assim, o outro ser, que não sabe viver de fel, procura proteger-se.)
Necessidade: protecção da sanidade mental.
Inventei para mim um exercício mental de comunicação selectiva para emergências. Chamo-lhe "Falar Estrangeiro" ou Afasia de Wernicke. É simples. Não anula o facto, mas ajuda a lidar no imediato com a memória do desrespeito. Na afasia de Wernicke, o indivíduo, não obstante as suas dificuldades de compreensão de linguagem e ininteligibilidade de discurso, é fluente. Ou seja, não se percebe o que diz, mas até parece estar a dizer coisas que lhe fazem sentido, como se falasse uma língua estrangeira desconhecida ao seu interlocutor. Um discurso que se pode dizer ser uma algarviada pegada, cheio de neologismos curiosos.
Portanto, é simples. Pensa-se no interlocutor como se fora um incapacitado da Linguagem e não da Cognição. É um exercício feio, é certo, mas é o que há. Não temos tempo para digerir tudo. Há muito para fazer. Há muita coisa a acontecer. Num instantinho, esqueço a pretensão de conseguir mostrar a um adulto que a sua atitude foi merdosa. A verdade é que não acredito que haja vitória numa troca de piropos bota-abaixo que possa superar a minha tranquilidade.
Se se deram ao trabalho de ler este longo post, se houve engano nas minhas palavras iniciais que possam ter levado a que esperassem que eu descrevesse uma estratégia magnífica... azarinho :) imagino que tenham as vossas e até reconheço que esta seja um bocado tonta e rebuscada, usei palavrões (p.ex. "respeito") e recorri a clichés, é assim mesmo. Este é um blog pessoal. É apenas um pouco de mim. Sejam bem vindos.
Tudo vai correr bem e cá estamos para o que der e vier. Bom dia, minha gente.
(deixo-vos com fotos da minha antologia)
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bola de pêlo
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Etiquetas: dias há que na alma, manda embora os dias, pearls before swine
groundlevel and below [ moods, talks & walks ]
Here come greetings from the fires of dusk
From all the places you never dare to walk
You never saw the silent battle zones
Beneath your towers and beyond your gardens
Was born a walker
Into this world I walk
And what's to miss about the old ball-and-chain
Imaginary top-of-the-foodchain-ways
I've found more truth in a cheap bottle of wine
I've found more life by a burning barrel
Was born a walker
Into this world I stalk
Run now, my friend
If you think you are free
Duck my friend, and cover
If you think you are safe
Here come greetings from the fires of dusk
From all the thoughts you never dared to think
From all the choices you'll never dare to make
Just a postcard from groundlevel and below
Postcard de Anywhen
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margarete
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Etiquetas: Anywhen, Cormac McCarthy, dias há que na alma, manda embora os dias, mundo, Peter Singer, Sandra Ferrás, vida
a tribo e a vala comum
esgotamos frequências cuja utilidade não nos cabe discriminar.
Recolhemos ecos desordenados. Demarcamos gavetas p’ra depois
amalgamar em toadas discernidas. Os dias, os mal moídos,
acarretam ricochetes atordoadores das nossas vozes. Ao início
das casas saem corpos com cachola. Atrás do entardecer
nos edifício entranham-se As coisas, em rastejos andróides.
Disformes amassos de linguagens .defuntos .abrimo-nos mutismo.
[ moagem da cachola nos dias úteis - em 1ª pessoa, mas agora do plural]
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Color video on plasma display mounted horizontally on wall
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(tempo de)
Insisto na tarefa gaga. Mastigo uma boca cheia de amêndoas a tentar ignorar a humidade. Penso nos homens e nas mulheres da repartição. Aumento a intensidade. Used songs. Obsessão. Casa. Levanto-me para estender roupa. Volto a sentar-me. De súbito. Tom Traubert's Blues. Caem largas águas pelo meu corpo. Repentina e espantada, ponho-me a lamber os cacos. Sinto força para recuperar cacaréus que coleccionei ao longo destes longos anos. Faço replay. Deixo-me desafogar de choro enquanto arranco a farpa e faço o curativo a ambas mãos.
Assusta-me a resiliência.
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two channels of color video on two plasma displays mounted side-by-side, vertically on wall
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Etiquetas: Bill Viola, demónios, fotografia, manda embora os dias, Tom Waits
manda embora os dias, por favor
[ quando o mar és tu. Apenas tu. ]
A música devolve-te
neste modo de respirar,
quando canto,
quando não te alcanço os lábios.
O silêncio arrecada-me
neste modo de respirar,
quando nado,
quando o mar és tu. Apenas tu.
Recado
O silêncio arrecada-me assim,
quando sem que saibas
a maré me devolve a ti
e tudo recomeça nos teus braços.
[ na delonga da devolução ]
Ardem no sal os meus membros
enquanto a devolução espera
o prazo dos sujeitos desalmados
manda embora os dias, por favor
quero nadar sem dor
quando nado
quando o mar és tu. Apenas tu.
Post-Scriptum
Se não vieres
manda embora os dias, por favor
rasga as águas.
sequência de desgarrada entre mim e a Marta (se quiserem saber quem escreveu o quê, está ali)
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Etiquetas: Carlos Veríssimo, desgarradas, do avesso, escrituras, manda embora os dias, poesia
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